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Mais informações sobre a
fruta desidratada

Fruta desidratada é apenas fruta?
Fruta desidratada é o resultado de um processo de eliminação quase total de água de fruta fresca, não sendo necessário adicionar mais nenhum ingrediente ao processo. Contudo, deve ser consultado o rótulo do produto para se perceber se houve adição de açúcar ou sal, o que empobreceria o alimento.
Quantos ingredientes tem um snack de fruta desidratada?
Idealmente apenas os referentes ao número de frutas usadas para compor o produto alimentar em questão. Se estivermos a falar, por exemplo, de maçã desidratada, apenas deveria existir 1 ingrediente na lista de ingredientes. Contudo, esta informação deve ser sempre confirmada no rótulo do produto.
Fruta desidratada tem açúcar?
O processo tradicional de desidratação não implica a utilização de açúcar. Neste contexto, o açúcar presente no produto é apenas o que existe naturalmente presente no mesmo, proveniente da fruta fresca que lhe deu origem. Convém apenas realçar que ao se eliminar a água presente na fruta fresca, todos os nutrientes que se mantêm para o produto final, ficarão mais concentrados, razão pela qual será encontrada uma elevada quantidade de açúcar por cada 100 g de fruta desidratada. Desta forma, será importante ter em conta a quantidade consumida deste tipo de alimento.
Incluir no pequeno-almoço ou lanchar fruta desidratada é saudável?
A fruta desidratada poderá representar um bom complemento para um pequeno-almoço ou lanche, desde que se tenha em consideração a adição de outras fontes alimentares que contenham hidratos de carbono complexos (ex: pão, cereais de pequeno-almoço) e fontes alimentares que contenham proteína (ex: iogurte, leite, queijo), tornando a refeição em questão mais ajustada. Obviamente que a porção a consumir, que se inclui em cada refeição, não deve ser descurada, podendo até 20g de fruta desidratada ser a quantidade mais adequada.
Quais os benefícios de comer fruta desidratada?
A fruta desidratada, enquanto snack, representa uma excelente alternativa a outros snacks presentes no mercado que aportam uma elevada quantidade de gordura, açúcar e sal (Chang SK, 2016). Além disso, poderá fornecer quantidades significativas de vitaminas, minerais, fibra e fitoquímicos e compostos fenólicos, o que pode promover a redução do risco de desenvolvimento de determinadas doenças crónicas, como a Obesidade, Diabetes Mellitus tipo II ou Doença Cardiovascular (Keast DR, 2004; Donno D, 2019; Sadler MJ, 2019). Desta forma, quando consumido com moderação, poderá representar um complemento interessante para uma alimentação variada e equilibrada.
Há perdas nutricionais durante o processo de desidratação?

As principais perdas verificam-se a nível da água, da vitamina C e dos fitoquímicos e compostos fenólicos, que se perdem durante o processo. De resto, os nutrientes da fruta fresca original mantêm-se praticamente constantes. Com a perda da água do produto inicial os nutrientes e compostos que se mantiverem para o produto final, apresentar-se-ão em quantidades mais concentradas.    

Quantas vezes por semana se pode lanchar fruta desidratada?

Um plano alimentar semanal deve ser trabalhado em função das necessidades individuais diárias de cada pessoa. No caso de uma pessoa de saúde e peso normais, haverá espaço para a inclusão de fruta desidratada num dos seus lanches diários. No caso dos indivíduos com outras condições de saúde, este ajuste deverá ser sempre realizado em conjunto com o nutricionista.

Reforça-se o interesse nutricional destes snacks, sobretudo a nível do seu conteúdo em fitoquímicos e compostos fenólicos com efeito antioxidantes, pelo que pode funcionar como um bom complemento a uma alimentação equilibrada e variada (Chang, SK, 2016).

Pode-se dar fruta desidratada às crianças?

Não existe nenhuma contraindicação para o consumo de fruta desidratada por parte de crianças. Existem alguns estudos que abordam a questão do consumo de snacks de fruta desidratada e saúde oral, não existindo consenso sobre o assunto (Sadler MJ, 2019). No caso das crianças deve ser tida em maior atenção a dose consumida, pois o limite recomendado de consumo de açúcares simples, por dia, é menor do que o dos adultos. Além disso, deve também ser tido em conta o tipo de combinações que se fazem para que a refeição em que se inclua fruta desidratada não tenha uma quantidade exagerada de açúcares simples.  

Comer fruta desidratada engorda?

Como qualquer alimento que contenha valor energético, quando consumido em excesso, poderá contribuir para um aumento de peso. Desta forma, quando consumido com moderação, não apresentará influência sobre o peso. 

Além disso, será importante destacar a diferença substancial que um snack de fruta desidratada pode apresentar face a outros snacks existentes no mercado que apresentem quantidades elevadas de açúcares, gordura e sal, como sejam batatas fritas, pipocas, chocolates, frutos oleaginosos fritos com sal, bolachas, entre outros. Assim, pode-se ter o prazer de comer um snack apelativo sob o ponto de vista sensorial e sem o desequilíbrio de snacks ricos em gordura, açúcares e/ou sal.  

Uma pessoa com Diabetes Mellitus pode consumir fruta desidratada?

Se a pessoa tiver em consideração a quantidade de açúcares simples presentes na fruta desidratada e conjugar o seu consumo com uma alimentação e atividade física equilibradas, não haverá problema no seu consumo. Além disso, se for um indivíduo que faça contagem de hidratos de carbono, facilmente consegue efetuar a contagem dos mesmos através da consulta desta informação no rótulo da embalagem e assim fazer um consumo mais consciente deste snack. 

Por outro lado, uma revisão de 2017 veio demonstrar que os snacks de fruta secada, desidratada e à base de frutos oleaginosos pode ter um efeito protetor contra determinadas doenças metabólicas, como a Diabetes Mellitus tipo II. Esta evidência deve-se ao perfil em macro e micronutrientes e em outros compostos bioativos presentes, que explicam os efeitos benéficos a nível da modulação do metabolismo da glicose e insulina, apresentados nos estudos epidemiológicos realizados Hernández-Alonso P, 2017).

Comer fruta desidratada é a mesma coisa do que comer fruta fresca?

Embora a fruta desidratada preserve muitas das qualidades nutricionais da fruta fresca (quando comparamos uma dose de fruta com a quantidade correspondente de fruta desidratada), o produto final não é o mesmo, sobretudo tendo em conta o conteúdo em vitamina C. Contudo, nem todas as frutas são boas fornecedoras de vitamina C, pelo que também deve ser feito um ajuste de interpretação a este nível. Alguns autores defendem que a fruta desidratada poderia ser inserida nas recomendações de fruta fresca (nas doses reduzidas equivalentes), de forma a promover um aumento do consumo de fruta no geral (Donno D, 2019; Sadler MJ, 2019), contudo, em Portugal não existe esta recomendação plasmada no guia alimentar de referência – a Roda da Alimentação Mediterrânica (DGS, 2016). Neste contexto, os snacks de fruta desidratada podem funcionar como um complemento, quando consumidos nas doses adequadas e inseridos num plano alimentar e de atividade física equilibrados, acompanhados por um nutricionista. 

Referências Bibliográficas
A Roda da Alimentação Mediterrânica. Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Direção-Geral da Saúde. 2017.

Chang, S. K., Alasalvar, C., & Shahidi, F. (2016). Review of dried fruits: Phytochemicals, antioxidant efficacies, and health benefits. Journal of Functional Foods, 21, 113-132. doi:https://doi.org/10.1016/j.jff.2015.11.034.

Donno, D., Mellano, M. G., Riondato, I., De Biaggi, M., Andriamaniraka, H., Gamba, G., & Beccaro, G. L. (2019). Traditional and Unconventional Dried Fruit Snacks as a Source of Health-Promoting Compounds. Antioxidants (Basel, Switzerland), 8(9), 396. https://doi.org/10.3390/antiox8090396

Hernández-Alonso, P., Camacho-Barcia, L., Bulló, M., & Salas-Salvadó, J. (2017). Nuts and Dried Fruits: An Update of Their Beneficial Effects on Type 2 Diabetes. Nutrients, 9(7), 673. https://doi.org/10.3390/nu9070673

Keast, D. R., O’Neil, C. E., & Jones, J. M. (2011). Dried fruit consumption is associated with improved diet quality and reduced obesity in US adults: National Health and Nutrition Examination Survey, 1999-2004. Nutrition research (New York, N.Y.), 31(6), 460–467. https://doi.org/10.1016/j.nutres.2011.05.009

Sadler, M. J., Gibson, S., Whelan, K., Ha, M-A., Lovegrove, L. & Higgs, J. (2019) Dried fruit and public health – what does the evidence tell us?, International Journal of Food Sciences and Nutrition, 70:6, 675-687, DOI: 10.1080/09637486.2019.1568398